Condição em que o impulso elétrico proveniente do átrio (normalmente do nó sinusal) é interrompido ao nível do ramo esquerdo ou mais distalmente ao nível dos dois fascículos resultando em bloqueio do ramo esquerdo. Em alguns casos, invés de uma interrupção do impulso, ocorre apenas um atraso na condução. Esta condição é também chamada de bloqueio incompleto do ramo esquerdo.

São causas de bloqueio do ramo esquerdo:

  • Doença cardíaca
  • Insuficiência cardíaca congestiva
  • Cardiomiopatias
  • Hipertensão Arterial Sistêmica

Diagnóstico

Os critérios de ECG para um bloqueio do ramo esquerdo (BRE) incluem:

  1. Duração QRS de> 120 milissegundos.
  2. Ausência de onda Q em DI, V5 e V6.
  3. Onda R monomórfica em I, V5, V6 e.
  4. Deslocamento oposto  do segmento ST e onda T à grande deflexão do complexo QRS.

Uma maneira simples de diagnosticar um BRE em um ECG com um complexo QRS alargado (> 120 ms) seria a de olhar para a derivação V1. Se em V1 o complexo QRS é alargado e para baixo, um bloqueio do ramo esquerdo está presente. Se o complexo QRS é alargado e para cima  em V1, trata-se de bloqueio de ramo direito. A figura abaixo mostra um ECG com BRE:

BRE
No BRE, o complexo QRS é alargado, com padrão QS ou rS em V1 e onda R ampla em V6 sem onda q septal. O segmento ST e as ondas T são normalmente discordantes

Nota: Se a duração do QRS é entre 100-119 milissegundos com os critérios 2, 3 e 4 do exposto, recebe o nome de atraso final da condução ou  bloqueio do ramo esquerdo incompleto.

O bloqueio do ramo esquerdo pode ocorrer apenas em vigência de frequência cardíaca elevada. Isto pode ser causado por isquemia do miocárdio ou refractariedade do feixe deixou a taxas mais rápidas do coração. Quando o bloqueio do ramo esquerdo ocorre com frequência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto, pode ser difícil de distinguir de taquicardia ventricular já que ambos resultam em complexo QRS largos. Os critérios de Brugada para o diagnóstico taquicardia ventricular são úteis para fazer esta diferenciação.

Diagnóstico de IAM em presença de BRE prévio – Critérios de Sgarbossa

Os critérios de Sgarbossa são usados no diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, quando um bloqueio do ramo esquerdo está presente.

Tradicionalmente, tem sido ensinado que o infarto do miocárdio não é capaz de ser diagnosticado através de ECG na presença de BRE. O aspecto do BRE com suas ondas S profundas em V1-V3 com a presença da elevação do segmento ST nesta parede e onda R alta com o segmento ST retificado em V5-V6, DI e aVL não ajudam na definição eletrocardiográfica de uma SCA. Esses achados valem também para portadores de marcapasso artificial de estimulação ventricular que apresentam no ECG padrão de BRE dado a estimulação ser proveniente do ventrículo direito. No entanto, Sgarbossa et al, em 1996, descreveu algumas alterações eletrocardiográficas observadas naqueles com BRE e infartos do miocárdio concomitantes e concebeu um sistema de  pontuação, chamados critérios de Sgarbossa. Estes critérios incluem:

  1. Elevação do segmento ST > 1 mm, na mesma direção (concordantes) com o complexo QRS – 5 pontos
  2. Depressão ST > 1 mm de V1, V2, ou V3 –3 pontos
  3. Elevação do segmento ST > 5 mm e na direção oposta (discordante) com as QRS – 2 pontos
Critérios de Sgarbossa
Os critérios de Sgarbossa, publicados em 1996, permitem o BRE na vigência de infarto agudo do miocárdio

Resumindo os critérios de Sgarbossa: teremos que ter um  Supradesnivelamento do segmento ST onde o QRS é positivo: V5-V6-DI-aVL (5 pontos) e/ou Infradesnivelamento do segmento ST onde o QRS é negativo: V1, V2, V3 (3 pontos) e/ou Supradesnivelamento do segmento ST onde o QRS é negativo: V1 a V3.

São necessários no mínimo 3 pontos para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio. O critério 3 ainda está em debate quanto à sua utilidade. Então basicamente é importante conhecer os dois primeiros critérios.

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[tab title=”Leia Mais” ]

Prolongamento do QRS e Mortalidade em Negros – Estudo

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[tab title=”Referências” ]

Romulo F Baltazar, Basic and Bedside Electrocardiography, 2009

Left Bundle Branch Block (LBBB) ECG (learnheart.com)

Brugada P, Brugada J, Mont L, Smeets J, and Andries EW. A new approach to the differential diagnosis of a regular tachycardia with a wide QRS complex. Circulation 1991 May; 83(5) 1649-59.

Sgarbossa, Elena B.; Pinski, Sergio L.; Gates, Kathy B.; Wagner, Galen S. (1996). “Early Electrocardiographic Diagnosis of Acute Myocardial Infarction in the Presence of Ventricular Paced Rhythm. GUSTO-I investigators.“. American Journal of Cardiology 77 (5): 423–424

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