Os potenciais gerados no coração são processados por uma série de dispositivos electrónicos para formar o ECG clínico. Esta actividade elétrica é captada por elétrodos posicionados na superfície e configurados de modos a obter vários tipos de derivações.

Quando a corrente elétrica se aproxima de um elétrodo positivo é registra como deflexão positiva; se se afasta do elétrodo positivo é registrado com deflexão negativa.

Cada derivação é a combinação de 2 elétrodos que registram uma corrente elétrica. As derivações do ECG podem ser subdivididas em dois tipos principais: bipolares e unipolares. O eletrocardiograma clinico padrão tem 12 derivações. Estas 12 derivações incluem três bipolares (derivações I, II e III), 6 unipolares (V1 a V6) e três unipolares modificadas (aVR, aVL e aVF)

[quote font=”helvetica” font_size=”16″ color=”#dd3333″ bcolor=”#dd3333″]Se a corrente elétrica se aproxima de um elétrodo positivo é registra como deflexão positiva; se se afasta do elétrodo positivo é registrado com deflexão negativa[/quote]

Derivações Bipolares

derivações-unipolares

  1. Derivação I: o elétrodo negativo é conectado ao braço esquerdo e o positivo no braço direito.
  2. Derivação II: o elétrodo negativo é conectado no braço direito e na perna esquerda fica conectado o elétrodo positivo.
  3. Derivação III: o elétrodo negativo é conectado no braço esquerdo e o elétrodo positivo na perna esquerda.

As conexões elétricas para estas derivações são tais que o potencial na derivação II é igual a soma dos potenciais  captados nas derivações I e III.

II = I + III

As três derivações bipolares podem ser arranjadas de tal modo que formem um triângulo, o triângulo de Einthoven, conforme ilustrado abaixo.

Derivações Unipolares

São aquelas em que apenas um elétrodo contribui para o registro eletrocardiográfico, o outro elétrodo serve como neutro.

Derivações unipolares aumentadas: são três: aVR (braço direito), aVL (braço esquerdo) e aVF (perna esquerda).

Derivações Precordiais: são as derivações V1, V2, V3, V4, V5 e V6. São colocados 6 elétrodos exploradores em 6 pontos no tórax anterior (veja figura), que registram o potencial elétrico em relação a um ponto de referência teórico zero.

  • V1 está localizado no 4º espaço intercostal, imediatamente a direita do esterno;
  • V2 está localizado no 4º espaço intercostal, imediatamente a esquerda do esterno;
  • V3 é colocado entre V2 e V4;
  • V4 é colocado no 5º espaço intercostal, na linha médio-clavicular esquerda;
  • V5 é colocado também no 5º espaço intercostal na linha axilar anterior;
  • V6 é colocado também no 5º espaço intercostal na linha axilar média.

As derivações bipolares (I, II e III) e as unipolares aumentadas (aVR, aVL e aVL) representam as 6 derivações do plano frontal do corpo. As 6 derivações precordiais formam o plano horizontal. Veja a figura abaixo.

Derivações dos planos frontal e horizontal
Derivações dos planos frontal (à esquerda) e horizontal (à direita)

Derivações especiais

Em certas situações é necessária a utilização de derivações adicionais ou até mesmo reposicionar os elétrodos para outras regiões do tórax de modos a obter uma melhor informação sobre a atividade elétrica do coração.

  • Derivações V7, V8 e V9: as três estão no mesmo nível de V6, sendo que V7 deve estar na linha axilar posterior, V8 imediatamente abaixo da espinha da escápula e V9 na borda lateral da coluna vertebral. Estas derivações são usadas para o diagnóstico de IAM da parede póstero-lateral, e devem ser solicitados quando está presente um infradesnível do segmento ST nas derivações V1 a V3.
  • Derivações precordiais direitas V3R, V4R, V5R e V6R: os elétrodos são colocados nas mesmas posições correspondentes do lado direito. Estas derivações são úteis para o diagnóstico de IAM do ventrículo direito, dextrocardia e hipertrofia do VD.
  • Derivação de Lewis: usada para registrar melhor a onda P, o elétrodo do braço direito é colocado no 2º espaço intercostal direito e o elétrodo do braço esquerdo no 4º espaço intercostal direito. Neste usa-se a derivação I para registro.
  • Derivação de Fontaine: usado para registrar a onda épsilon em pacientes com displasia arritmogénica do ventrículo direito. O elétrodo do braço direito é posicionado no manúbrio esternal e o elétrodo do braço esquerdo no apêndice xifoide. Adicionalmente o elétrodo da perna pode ser colocado na posição de V4. Usam-se as derivações I, II e III para registro.
Derivações-especiais
Derivações eletrocardiográficas especiais. A derivação de Lewis (à esquerda) e a derivação de Fontaine (à direita).

 

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