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Clindamicina versus Bactrim no Tratamento de Infecção Cutânea não Complicada (New England J of Medicine)

As infecções da pele e das estruturas anexas são doenças comuns entre os pacientes que procuram atendimento médico nos Estados Unidos, respondendo por cerca de 14,2 milhões de consultas ambulatoriais em 2005 e mais de 850.000 internações por infecções de pele são associadas a complicações consideráveis, incluindo bacteremia, a necessidade de procedimentos de internação e cirurgia, e morte.

Os resultados das culturas de lesões por infecção cutânea nos Estados Unidos mostraram que a maioria das infecções são causadas por Staphylococcus aureus meticilina-resistete (MRSA, sigla em inglês), mas a eficácia de vários regimes de antibióticos em áreas onde o MRSA da comunidade é endémica ainda não foi definedo. Tanto a clindamicina como o sulfametoxazol-trimetoprim (TMP-SMX) – comumente conhecido como Bactrim – são recomendados por causa do baixo custo e da atividade destas drogas contra MRSA e estirpes de S. aureus sensíveis a meticilina (MSSA, sigla em inglês), entretanto ainda há poucos dados comparativos sobre a segurança e eficácia destes agentes antibióticos para o tratamento de infecções da pele.

Um artigo recente do New England Journal of Medicine publicou um ensaio clínico randomizado comparando clindamicina e TMP-SMX para o tratamento de infecções cutâneas não complicadas em quatro centros americanos localizados em áreas de endemicidade MRSA da comunidade.

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[accordion title=”O que celilite?” state=”close”]

A celulite é uma infecção bacteriana extensa da pele e dos tecidos que se encontram por baixo dela.

A celulite pode ser causada por diferentes bactérias; a mais frequente é o estreptococo. Estas bactérias espalham-se rapidamente sobre uma ampla área porque produzem enzimas que impedem que os tecidos limitem a extensão da infecção. Os estafilococos, outro tipo de bactéria, também podem causar celulite, mas, em geral, numa área mais reduzida. Outras bactérias causam celulite após determinadas lesões, como as mordeduras de animais ou as lesões cutâneas ocorridas em água doce ou salgada.

Em geral, a celulite desenvolve-se nas pernas. A infecção costuma aparecer depois de a pele ter sido danificada em virtude de uma lesão, ulceração, pé-de-atleta ou dermatite. As zonas da pele que incham devido a líquido exsudado (edema) são as mais vulneráveis. A celulite tende a recidivar nas cicatrizes cirúrgicas ou perto delas (por exemplo, na cirurgia das varizes). Contudo, podem também surgir em pele que não foi danificada.

A infecção pode espalhar-se rapidamente e penetrar nos vasos linfáticos e na corrente sanguínea, depois do que se pode espalhar por todo o organismo, provocando sepse.

Fonte: Manual Merk. Biblioteca Médica Online

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[accordion title=”O que é abscesso?” state=”close”]

Os abcessos da pele (abcessos cutâneos) são acumulações de pus causadas por uma infecção bacteriana.

Em geral os abcessos formam-se quando uma pequena lesão da pele permite que as bactérias que normalmente aí estão presentes penetrem e causem uma infecção. Um abcesso cutâneo é uma zona inchada e dolorosa que, ao tacto, parece estar cheia de um líquido espesso.

As bactérias podem propagar-se a partir do abcesso e infectar o tecido circundante, causando celulite. Do mesmo modo, podem infectar os vasos linfáticos próximos e os gânglios linfáticos para onde estes drenam, fazendo com que se inflamem.

Fonte: Manual Merk. Biblioteca Médica Online

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O estudo incluiu pacientes ambulatoriais com infecções cutâneas não complicadas que tiveram celulite, abcessos maiores que 5 cm de diâmetro (menores para as crianças mais jovens), ou ambos. Os pacientes foram admitidos em quatro centros de estudo. Todos foram submetidos a incisão abcessos e drenagem. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente em uma proporção de 1: 1 para receber clindamicina ou sulfametoxazol-trimetoprim (TMP-SMX) por 10 dias. Os doentes e os investigadores não tinham conhecimento do esquema terapêutico nem dos resultados dos testes microbiológicos. O desfecho primário foi a cura clínica 7 a 10 dias após o término do tratamento.

Um total de 524 pacientes foram incluídos (264 no grupo de clindamicina e 260 no grupo TMP-SMX), incluindo 155 crianças (29,6%). Cento e sessenta pacientes (30,5%) tiveram abscesso, 280 (53,4%) tinha celulite e 82 (15,6%) tiveram infecção mista, definida como pelo menos um abcesso e uma celulite. O S. aureus foi isolado em lesões de 217 doentes (41,4%); destes, 167 (77,0%) eram MRSA. A proporção de pacientes curados foi semelhante nos dois grupos de tratamento. As taxas de cura não diferiram significativamente entre os dois tratamentos nos subgrupos de crianças, adultos e pacientes com abscesso vs com celulite. A proporção de pacientes com eventos adversos foi similar nos dois grupos.

Assim, os estudo mostrou que não houve diferença significativa entre a clindamicina e TMP-SMX, com relação a eficácia ou perfil de efeitos colaterais, para o tratamento de infecções cutâneas não complicadas, incluindo tanto a celulite e abscesso.

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[tab title=”Artigo Original” ]

Título Original: Clindamycin versus Trimethoprim–Sulfamethoxazole for Uncomplicated Skin Infections. N Engl J Med 2015; 372:1093-110

Autores: Loren G. Miller, M.D., M.P.H., Robert S. Daum, M.D., C.M., C. Buddy Creech, M.D., M.P.H., David Young, M.D., Michele D. Downing, R.N., M.S.N., Samantha J. Eells, M.P.H., Stephanie Pettibone, B.S., Rebecca J. Hoagland, M.S., and Henry F.

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[tab title=”Referências” ]

  1. Preferred treatment and prevention strategies for recurrent community-associated methicillin-resistant Staphylococcus aureus skin and soft-tissue infections: a survey of adult and pediatric providers. Am J Infect Control 2010;38:324-328
  2. Community-associated methicillin-resistant Staphylococcus aureus: epidemiology and clinical consequences of an emerging epidemic. Clin Microbiol Rev 2010;23:616-687
  3. Management and outcome of children with skin and soft tissue abscesses caused by community-acquired methicillin-resistant Staphylococcus aureus. Pediatr Infect Dis J 2004;23:123-127

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Especialidades: Cirurgia Geral , Dermatologia , Infectologia Palavras-chave: , , , ,

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