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Fibrilação Atrial: controle da frequência ou controle do ritmo?

A fibrilação atrial (FA) é uma arritmia cardíaca relativamente frequente na prática clínica. Quando um paciente é diagnosticado com fibrilação atrial, duas perguntas são essenciais: (1) é uma arritmia aguda ou persistente? E, dependendo da resposta a esta pergunta, (2) qual a melhor estratégia de tratamento para a arritmia? controle da frequência cardíaca apenas ou tentar reverter e manter em ritmo sinusal? Vários factores interferem na tomada desta decisão clínica: a idade do paciente, o início dos sintomas, o tamanho do átrio esquerdo, cardiopatia estrutural e outras comorbidades associadas, a presença ou não de trombo intracavitário, a preferência do paciente, etc.

Um estudo publicado no Jornal do Colégio Americano de Cardiologia (JACC, sigla em inglês) avaliou o desfecho, em termos de mortalidade, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto do miocárdio. O estudo foi retrospectivo e comparou a estratégia de controle do ritmo (n = 2858) contra a estratégia de controle da frequência (n = 4130). A média de idade foi 74 anos, 56% eram homens, 68% tinhas escore de CHADS2 > 2 pontos e a média de seguimento foi de 2,3 anos.

Apesar de uma análise não ajustada mostrar uma superioridade da estratégia de controle do ritmo quanto a mortalidade, mortalidade cardiovascular e AVC isquêmico ou hemorrágico, após ajuste dos factores esta diferença não foi estatisticamente significativa entre as duas estratégias; contudo, o controle do ritmo foi associado à um maior número de internamentos hospitalares por causa cardiovascular (p = 0,0003).

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A fibrilação atrial

A  fibrilação atrial é uma arritmia supraventricular caracterizada por activação atrial desorganizada, afecta principalmente pessoas mais velhas (> 60 anos). No eletrocardiograma caracteriza-se por (1) intervalos R-R irregulares (quando existe condução atrioventricular), (2) ausência de onda P e (3) actividade atrial irregular. Os mecanismos causais são multifactorial e a abordagem clínica pode ser complexa.

O controle da frequência cardíaca pode ser feito com o uso de fármacos cronotrópicos negativos como os beta-bloqueadores (atenolol, metoprolol, carvedilol, … ) e os bloqueadores dos canais de cálcio não di-hidropiridínicos (diltiazen e verapamil). O controle do ritmo pode ser feito através da cardioversão eléctrica, da ablação com cateter e com o uso de fármacos antiarrítmicos (ex. propafenona, amiodarona, sotalol). Lembramos que algumas das opções terapêuticas têm função dupla. Por exemplo, nos casos de alta resposta ventricular (FA com frequência cardíaca > 100 bpm) a cardioversão eléctrica e/ou química permitem a reversão para o ritmo sinusal e ajudam no controle da frequência.

Leia mais as Diretrizes sobre o manuseio de pacientes com Fibrilação Atrial

Especialidades: Arrimia , Cardiologia Palavras-chave: , , ,

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