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Compressões Torácicas durante PCR Extra-hospitalar: Manual ou Mecânica? Resultados do Estudo PARAMEDIC (Lancet)

Dispositivos de compressão torácica mecânicos têm o potencial de ajudar a manter a alta qualidade da ressuscitação cardiopulmonar (RCP), mas apesar de sua crescente utilização, existe pouca evidência sobre sua eficácia. Um estudo recente estudou se a introdução da RCP mecânica com o LUCAS-2  em veículos de emergência (ambulâncias) iria melhorar a sobrevida após parada cardíaca fora do hospital.

Os pacientes foram randomizados  durante o atendimento extra-hospitalar para compressões manuais ou automáticas com dispositivos mecânicos. Foram incluídos adultos com parada cardíaca não-traumática,  fora do hospital a partir de quatro Serviços de Ambulância do Reino Unido (West Midlands, Nordeste de Inglaterra, País de Gales, South Central). Os veículos de serviço de ambulâncias, que foram distribuídos aleatoriamente (1: 2) para LUCAS-2 ou RCP manual. Os pacientes receberam compressão torácica mecânica com LUCAS-2 ou compressões torácicas manuais de acordo com o primeiro veículo a chegar na cena. O desfecho primário foi a sobrevida em 30 dias após a parada cardíaca e foi analisada por intenção de tratar (intention to treat).

Foram incluídos 4.471 pacientes elegíveis (1652 atribuído ao grupo LUCAS-2, 2819 atribuído ao grupo controle) entre 15 de abril de 2010 e 10 de junho de 2013. Ao todo, 985 (60%) pacientes no grupo LUCAS-2 recebeu compressão torácica mecânica, e 11 (<1%) pacientes do grupo controle recebeu LUCAS-2. Na análise de intenção de tratar, a sobrevivência 30 dias foi semelhante no grupo LUCAS-2 e no grupo RCP manual. Não foram verificados eventos adversos graves. Sete eventos adversos clínicos foram relatados no grupo LUCAS-2 (três pacientes com hematomas no tórax, dois com lacerações no tórax e dois com sangue na boca). Quinze incidentes com o dispositivo ocorreram durante o uso operacional. Nenhum evento adverso ou adversos graves foram relatados no grupo manual.

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Os autores concluem que não há evidência de melhora na sobrevida em 30 dias com LUCAS-2 em comparação com compressões manuais. Com base neste e em outros ensaios clínicos aleatórios recentes, a adoção generalizada de dispositivos de RCP mecânicos para uso rotineiro não melhoram a sobrevivência.

 

Representação de um dispositivo de compressão torácica mecânica, o LUCAS II. A direita o dispositivo instalado.
Representação de um dispositivo de compressão torácica mecânica, o LUCAS-2. A direita mostra o dispositivo sendo instalado.

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[tab title=”Artigo Original” ]

Mechanical versus manual chest compression for out-of-hospital cardiac arrest (PARAMEDIC): a pragmatic, cluster randomised controlled trial (Acesso livre)

Autores: Gavin D Perkins, et al.

Lancet 2015; 385: 947–55

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[tab title=”Referências” ]

1. Field JM, Hazinski MF, Sayre M, et al. Part 1 Executive Summary: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010;122(18 Suppl 3).

2. American Heart Association. Destaques das Diretrizes da American Heart Association 2010 para RCP e ACE. [versão em Português].

3. Perkins, GD and Cooke, MW. Variability in cardiac arrest survival: the Ambulance Service Quality Indicators. Emerg Med J. 2012; 29: 3–5

4. Vadeboncoeur, T, Stolz, U, Panchal, A et al. Chest compression depth and survival in out-of-hospital cardiac arrest. Resuscitation. 2014; 85: 182–18

5. Idris, AH, Guffey, D, Aufderheide, TP et al. Relationship between chest compression rates and outcomes from cardiac arrest. Circulation. 2012; 125: 3004–3012

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Especialidades: Emergências Médicas Palavras-chave: , , , , ,

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