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Sepse 3 – novo consenso sobre conceitos de sepse e choque séptico

A sepse grave e o choque séptico são grandes problemas da saúde, que afetam milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano, matando uma em cada quatro pessoas (frequentemente mais) e cuja incidência está aumentando.

Um artigo recente publicado no JAMA (revista oficial da Associação Médica Americana), trouxe novas definições consensuais sobre sepse e choque séptico. A equipe que trabalhou na elaboração destas novas diretrizes incluiu membros de duas importantes sociedades de cuidados intensivos, nomeadamente a European Society of Intensive Care Medicine e a Society of Critical Care Medicine, sendo especialistas de várias áreas: cuidados intensivos, pneumologia, infectologia e cirurgia.

Definição anterior

Até as últimas diretrizes, publicadas em 2012, a sepse era definida como sendo um conjunto de alterações orgânicas resultantes de uma síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS) associada à um processo infeccioso.

Conceito de SIRS

A SIRS é definida é definida como sendo a presença de 2 ou mais dos seguintes critérios:

  • Temperatura >38ºC (febre) ou <36ºC (hipotermia);
  • Frequência cardíaca > 90 bpm (taquicardia);
  • Frequência respiratória > 20/min. ou Paco2 < 32 mmHg;
  • Contagem de leucócitos no sangue >12.000/mm3 ou >10% de células jovens (bastonetes, etc.)

Novas definições sobre sepse e choque séptico

O novo consenso propõe as seguintes definições sobre sepse e choque séptico:

Definições:

  • Sepse: disfunção de órgãos potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada e exagerada do hospedeiro perante uma infecção.
  • Choque séptico: é a sepse associada à alterações celulares e metabólicas capazes de aumentar significativamente a mortalidade.

Critérios clínicos para identificar:

  • Sepse: corresponde a infecção suspeitada ou documentada com aumento ≥2 pontos no SOFA (uma escala de disfunção orgânica);
  • Choque séptico: corresponde à sepse com a necessidade de uso de droga vasopressora (adrenalina, vasopressina, etc) para manter a pressão arterial média ≥ 65 mmHg e com lactato elevado >2 mmol/L (18 mg/dL) mesmo após reposição de fluidos adequada. Pacientes com estes critérios têm uma mortalidade maior que 40%.

Certamente estas definições trazem mudanças significativas. Por exemplo, por decisão unânime da Task Force, os critérios de SIRS não foram incluídos nas definições de sepse e choque séptico. Os especialistas apontaram como motivos o facto de os critérios de SIRS não estarem presentes apenas quando há uma infecção; várias outras situações ocorrem com resposta inflamatória sistêmica (SIRS), mesmo aquelas não fatais e sem infecção (grandes cirurgias, por exemplo). Por outro lado, estudos indicam que 1 em cada 8 pacientes admitidos nos cuidados intensivos com infecção e disfunção de órgãos, na Austrália e Nova Zelândia, não apresentavam pelo menos 2 critérios de SIRS.

Disfunção ou falência orgânica

Assim como era nas anteriores recomendações, o actual consenso leva em consideração a disfunção de órgãos na graduação do estado de sepse. Vários scores foram criados para avaliar a gravidade das disfunções orgânicas, baseados nos achados clínicos, exames laboratoriais e intervenções terapêuticas. No presente consenso recomenda-se a utilização do Sequential Organ Failure Assessment  (SOFA)que avalia a probabilidade de morte. Quanto maior o SOFA, maior é a mortalidade (Veja aqui a tabela do SOFA). Considera-se disfunção orgânica se o SOFA≥2.

Variáveis do SOFA

Razão PaO2/FiO2

Escala de Coma de Glasgow

Pressão Arterial Média

Administração de drogas vasopressoras

Creatinina sérica ou diurese

Bilirrubinas

Contagem de plaquetas

Em pacientes internados em unidades de cuidados intensivos (UTI), com prognóstico reservado, pode ser usado o qSOFA (quick SOFA, ou SOFA rápido em inglês), na beira do leito pois não necessita de exames laboratoriais. Veja na tabela abaixo:

Cítérios do qSOFA (SOFA rápido)

Frequência respiratória ≥22/min

Alteração mental

Pressão arterial sistólica  ≤100 mm Hg

O gráfico abaixo descreve o algoritmo proposto para definição de sepse e choque séptico.

Definição sepse e choque séptico

Figura 1Algoritmo dos critérios clínicos para identificação dos pacientes com sepse e choque séptico

Este artigo reforça ainda a necessidade de reconhecimento precoce e tratamento adequado dos pacientes com sepse ou com risco de desenvolverem sepse.

Artigo Original (leia aqui, grátis)


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Especialidades: Emergências Médicas , Infectologia , Medicina Intensiva Palavras-chave: , ,

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